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Classificação Científica

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Pelecaniformes
Família: Threskiornithidae
 Poche, 1904
Espécie: E. ruber

Nome Científico

Eudocimus ruber
(Linnaeus, 1758)

Nome em Inglês

Scarlet Ibis


Estado de Conservação

(IUCN 3.1)
Pouco Preocupante

Fotos Sons

Guará

O guará é uma ave ciconiiforme da família Threskiornithidae.

Também conhecida como íbis-escarlate, guará-vermelho, guará-rubro, guará-piranga e garça-vermelha. É considerada por muitos uma das mais belas aves brasileiras, por causa da cor de sua plumagem.

Várias localidades na costa brasileira têm nomes de origem indígena associados a presença do guará no passado, como Guaratuba (Paraná), Guaraqueçaba (Paraná), Guaratiba (Rio de Janeiro) e Guarapari (Espírito Santo). Provavelmente também algumas outras um pouco mais afastadas, onde a espécie ocorria ocasionalmente, seguindo o curso dos rios que desaguam no Atlântico, como Guaramirim (Santa Catarina) e Guaratinguetá (São Paulo). Atualmente está se recuperando em vários desses locais.

No clássico livro de Hans Staden (alemão que foi prisioneiro do índios Tupinambás por volta de 1550 na região que hoje corresponde a Ubatuba (São Paulo) e adjacências, um dos primeiros relatos escritos da natureza brasileira) existe a descrição das diferentes plumagens dessa ave durante seu ciclo de vida e da importância da espécie na ornamentação dos indígenas que habitavam a mata atlântica.
A descrição de Hans Staden é a seguinte: “Ha também muitos passaros singulares ali. Uma especie chamada Uwara Pirange tem seus pastos perto do mar e se aninha nas rochas, junto à terra. Tem o tamanho de uma galinha, bico comprido e pernas como as da garça, mas não tão compridas. As primeiras pennas que sáem nos filhotes são pardacentas e com ellas vôam um anno; mudam então essas pennas e todo o passaro fica tão vermelho quanto possivel, e assim persiste. As suas pennas são muitos estimadas pelos selvagens”.

Pero de Magalhães Gandavo, historiador e cronista português (1540-1580), autor do famoso livro “História da Província Santa Cruz a que vulgarmente chamamos Brasil”, editado em Lisboa por Antônio Gonçalves, em 1576, assim descreveu o guará: “Algumas aves notaveis ha tambem nestas partes, a fora estas que tenho referido, de que tambem farei mençam e em especial tratarei logo de humas maritimas a que chamam Goarás, as quaes seram pouco mais ou menos do tamanho de gaivotas. A primeira penna de que a nature as veste, he branca sem nenhuma mistura mui fina em extremo. E por espaço de dous annos pouco mais ou menos a mudam, e torna-lhes a nascer outra parda tambem muito fina sem outra nenhuma mistura; e pelo mesmo tempo adiante a tornam a mudar, e ficam vestidas de huma muito preto distincta de toda outra cor. Depois dahi a certo tempo pelo conseguinte a mudam e tornam-se a cobrir doutra mui vermelha, e tanto, como o mais fino e puro cramesim que no mundo se pode ver e nesta acabam seus dias”.

O naturalista e jesuíta português, Fernão Cardim (1540-1625), que veio para o Brasil em 1583, traz a seguinte descrição do guará: “Este passaro he do tamanho de huma Pega, tem o bico muito comprido com a ponta revolta, e os pés de comprimento de hum grande palmo; quando nasce he preto, e depois se faz pardo. quando já avôa faz-se todo branco mais que huma pomba, depois faz-se vermelho claro, et tandem torna-se vermelho mais que a mesma grã, e nesta côr permanece até a morte; são muitos em quantidade, mas não têm mais que esta especie: crião-se bem em casa, o seu comer he peixe, carne, e outras cousas, e sempre hão de ter o comer dentro n'agua: a penna destes he muito estimada dos Indios, e dellas fazem diademas, franjas, com que cobrem as espadas com que matão; e fazem braceletes que trazem nos braços, e pôem-nas nos cabellos como botões de rosas, e estas suas joias e cadêas douros com que se ornão em suas festas, e estimão-nas tanto que, com serem muito amigos de comerem carne humana, dão muitas vezes os contrarios que têm para comer em troco das ditas pennas: andão em bando estes passaros, e se lhe dá o sol nas praias, ou indo pelo ar he cousa formosa de ver”.

Existe o registro histórico no Rio de Janeiro na APA de Sapiatiba descrito pelo Padre José de Anchieta (1534-1595) que não deixa dúvida quanto a espécie em questão. “Ave marinha, por nome guará, igual ao mergulhão, mas de perna mais comprida, de pescoço igualmente longo, de bico estendido e adunco. Alimenta-se de caranguejos e é muito voraz. Na primeira idade reveste-se de penas brancas, que se mudam depois em cor cinza, e passando algum tempo, tornam a embranquecer, embora de menor alvura que na primeira idade, e por fim, ornam-se de cor purpúrea, belíssima; as quais os brasis muito apreciam, pois com elas enfeitam os cabelos e braços em suas festas”.

Nome Científico

Seu nome científico significa: do (grego) eu = bom; e dokimos = excelente, estimado; e do (latim) ruber = vermelho. ⇒ Ave de coloração vermelha gloriosa, magnífica.

Características

O guará mede cerca de 50 a 60 cm. Possui bico fino, longo e levemente curvado para baixo. A plumagem é de um colorido vermelho muito forte, por causa de sua alimentação à base do caranguejo chama-maré (Uca maracoani) que possui um pigmento (carotenos) que tinge as plumas. No cativeiro, com a mudança da alimentação, as plumas perdem a cor e ficam com um tom cor-de-rosa apagado.

ESPÉCIE SEM DIMORFISMO SEXUAL

Subespécies

Não possui subespécies.

Alimentação

A sua alimentação é baseada principalmente em pequenos caranguejos. Sua coloração tem forte relação com sua dieta, sendo responsável pela sua plumagem vermelha intensa. A espécie realiza o metabolismo e incorporação seletiva de carotenoides, nesse caso principalmente a Cantaxantina, distribuído para as penas.

Reprodução

A reprodução é feita em colônias. O ninhos são feitos no alto das árvores à beira dos mangues e lamaçais litorâneos. A fêmea põe 2 ou 3 ovos de cor bege, ou marrom-claro com manchas marrons.

Hábitos

Os guarás forrageiam em pequenos grupos, ou até mesmo indivíduos isolados, durante a maré baixa; os imaturos e subadultos costumam formar grupos separados para forragear. Excepcionalmente, bandos maiores (p. ex.: 50) forrageiam juntos. Com a maré montante, repousam em grupos nas árvores do manguezal, onde não são facilmente vistos entre a folhagem. Reúnem-se ao pôr do sol e voam em filas para os locais onde passam a noite.

Distribuição Geográfica

O guará está presente em Trinidad e Tobago (onde é a ave nacional), na Colômbia, na Venezuela, nas Guianas e no litoral norte do Brasil. No litoral sul e sudeste do Brasil, permaneceu por décadas sem registros, causado por expressiva redução populacional. A partir da década de 90, novo grupos foram observados no litoral de São Paulo, iniciando então um processo de repovoamento. Atualmente grandes grupos são observados no litoral do Paraná, assim como no estado de Santa Catarina, porem mais restrito ao litoral norte do estado.

Referências

Galeria de Fotos